O vereador Evandro Oliveira Miranda (PSD), conhecido como Mestre Grilo e atual vice-presidente da Câmara Municipal de Lavras (MG), foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (16), durante uma ação da Polícia Civil.
A prisão foi realizada por policiais da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e da Delegacia Regional de Lavras, que também cumpriram mandados de busca e apreensão relacionados à investigação.
Segundo a Polícia Civil, as ordens judiciais foram cumpridas contra um homem de 39 anos, investigado por possíveis crimes contra a dignidade sexual.
O caso começou a ser apurado em fevereiro de 2026, após requisição do Ministério Público. As investigações abrangem fatos supostamente ocorridos em diferentes períodos e envolvem pessoas que, à época, seriam crianças e adolescentes ligadas às atividades de um grupo de capoeira.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos dois celulares e um notebook. Os equipamentos serão submetidos à análise pericial, conforme informado pela corporação.
Após a prisão, o vereador foi encaminhado ao presídio de Lavras.
Defesa reafirma inocência e questiona prisão preventiva
A defesa de Mestre Grilo divulgou uma nota em que reafirma a inocência do vereador e declara que ela será demonstrada no curso do processo, mediante a apresentação de provas permitidas em direito.
O advogado Luiz Henrique Fernandes Santana sustenta que o procedimento investigatório trata de supostos fatos sem provas, que teriam ocorrido há mais de 20 anos. A defesa também afirma que, até o momento, não houve comprovação das imputações.
Segundo o advogado, anteriormente, o Poder Judiciário havia indeferido um pedido de prisão e determinado medidas cautelares, entre elas a proibição de contato com 185 pessoas. A defesa declara que todas as determinações foram cumpridas pelo investigado.
A nota também contesta os fundamentos da nova ordem de prisão, afirmando que ela se baseou em uma gravação ambiental de conversa realizada por terceiro indicado pelo próprio denunciante, sem a apresentação de fato novo ou elemento probatório concreto capaz de justificar a alteração do entendimento judicial anterior.
Câmara de Lavras aguardará desfecho do processo
A Câmara Municipal de Lavras informou que tomou conhecimento da prisão do vereador por meio da imprensa e dos canais oficiais do Poder Judiciário.
Em nota, a Mesa Diretora declarou que a Casa continuará desempenhando normalmente suas atividades legislativas e administrativas, em observância ao Regimento Interno e à legislação vigente.
O Legislativo esclareceu que o fato não tem ligação direta com o mandato do vereador e ressaltou que a apuração dos fatos compete exclusivamente ao Poder Judiciário, respeitando os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.
A Câmara informou ainda que, diante da possibilidade de interposição de recursos pela defesa, aguardará o desfecho definitivo do processo. Somente após a manifestação final do Poder Judiciário, serão adotadas as medidas institucionais eventualmente cabíveis, sem prejulgamentos durante a tramitação do caso.
Informações: Folha Regional
Foto: Divulgação
